Como o reconhecimento da Interdependência engaja atitudes sustentáveis!


02/07/2021

Como o reconhecimento da Interdependência engaja atitudes sustentáveis!

Reconhecer e aceitar a Interdependência

Quem sabe já é hora de passar de fase. Aproveitar o momento de transformação e focar em outra palavra. Uma grande por outra, ainda que só por este momento. Bem mais do que seis por meia dúzia. São 16 por 16 - letras.

Sustentabilidade por Interdependência.

Mas para que isso?

Talvez “sustentabilidade” já nem seja mais lida ou escutada. Os olhos passam por cima, feito pronome no verbo conjugado. E para os ouvidos seja só um zumbido. Sabe o barulho do mar quando a gente passa muito tempo na praia? E com isso não pensamos mais no assunto. Aquele óbvio que ninguém mais quer examinar. E se déssemos um passo atrás para aumentar a perspectiva da visão?

INTERDEPENDÊNCIA.

Hum... O que é isso mesmo?

Essa é a palavra que a gente esqueceu há muito tempo. Nem foi você ou eu. Foi um parente nosso, que hoje teria uns 200 anos. Talvez pelo mesmo cansaço —  o da obviedade.

Havia um grupo, ou uma tribo; enfim, humanos vivendo juntos. Uns plantavam, outros caçavam, outros curavam, tinham os que cozinhavam e  ainda os que cuidavam. Cada um fazia uma parte. Ninguém fazia nada sozinho. Se um adoecia, a falta dele mudava tudo. A industrialização, nos deu uma falsa ilusão de independência. Como se não dependêssemos mais de outras pessoas ou dos recursos da natureza. Basta trabalhar e comprar. A percepção de interdependência ficou tão esquecida que hoje, cheios de orgulho, dizemos que um filho cresceu e conquistou a independência. Às vezes, independência financeira, tanto faz. Que maluquice é essa? Alguém amadurece e fica independente? Não depende do cliente, do chefe, do investidor, dos colegas para entregar um trabalho, de um relacionamento afetivo. Isso não existe.

Em qualquer sistema na Terra há algum grau de dependência. Na biologia, na química, na física, no reino animal, na natureza, nas relações humanas e até nas mais sutis, como o amor. Pisa na bola repetidamente para ver como TUDO É INTERDEPENDENTE.

Pensa comigo,  o vírus em Wuhan, na China, fechou um negócio. Algo microscópico, a 18.000km de São Paulo, fechou o negócio que uma família criou há 70 anos. Separou muitos casais, melhorou a poluição do ar em quase todo o planeta,esvaziou cidades; provocou mudanças em milhares de famílias, e em países inteiros.

O caçador de caranguejo viu sua atividade prosperar logo depois que sua cidadezinha foi cenário de novela. Foi tão bem, que seu tio abriu um restaurante ali mesmo, na beira do mangue de onde tirava seu sustento. E depois do tio vieram outros. Feliz, ele vendia mais a cada fim de semana. O lixo e o esgoto dos restaurantes  espalhavam-se mais e mais pelo mangue. Os caranguejos foram rareando, ele ia buscar cada dia mais longe. Nem precisamos ir mais adiante para perceber que essa história não acaba bem, né?O mangue, o caranguejo, o caçador, o tio, o cliente, a mulher do caçador, os peixes do estuário, a arrecadação de impostos da cidadezinha. Todos INTERDEPENDENTES.

Só que a gente esquece. Vivemos pouco, uns 85 anos. Carregamos escassas histórias que vieram antes, estudamos outro tanto. Quem sabe temos uma percepção de uns 100 anos. A TERRA existe há 4 bilhões de anos. Desde o fim da era do gelo são pelo menos 1 milhão de anos. Daria para nascer e morrer 10.000 vezes.Ficou longe, né? Vamos trazer para perto. As fezes do cachorro que alguém não recolhe de manhã, pode ser a mesma que irá  grudar na sola deste mesmo sapato a tarde. Afinal, todos circulamos em torno de onde moramos. E não importa a distância, o planeta é um só para todos.

A garrafa vazia, que alguém, displicentemente, abandona em qualquer lugar — num banco de praça talvez—, estará pronta para uma viagem sem rumo ou destino certo, de carona no vento e na água da chuva, até que encontre abrigo num bueiro. E junto com outros viajantes indesejados, darão causa a um bueiro entupido, e o consequente, irão parar no lar de alguém.

A árvore derrubada para abrir espaço para construir, é a mesma que antes abrigava pássaros, que refrescava a rua e nos protegia dos raios UV,  causadores de câncer nos humanos.

O desmatamento desmedido que um ser humano realiza para plantar alguma monocultura, é o mesmo que causa a seca e faz com que ele — assim como outros agricultores à  quilômetros de distância —,  perca a produção ou gaste muito mais com irrigação, algumas estações depois.Exemplos dessas relações complexas não faltam. Assim como não faltam solos degradados e espécies de animais e vegetais extintos ou em ameaça.

Ao que tudo indica, um dos grandes causadores dessa ilusão de independência é a nossa relação com o tempo. Podemos colocar nessa equação outra fantasia antiga, a de que tempo é dinheiro. Nem vamos longe aqui. Quanta gente com muito dinheiro morreu tentando comprar tempo? Porém, juntando essas duas miragens, a equação é boa.

Buscamos dinheiro na ilusão de comprar tempo e ele mesmo nos faz esquecer das consequências e de onde partimos. Ao que parece:  um mundo muito mais povoado, com a alta capilaridade das comunicações e transportes mais eficientes e velozes. Uma nova variável vai invadindo essa equação.

A velocidade das consequências!

A mesma sociedade do consumo, fez nascer e crescer a sociedade da informação. O que era fácil de esquecer ou esconder já não é tão fácil assim. Uma parte das mentes e corações por trás do capital — sim todos tem coração —, já percebeu, ou melhor, se recordou, da interdependência. E além de corrigir o rumo de suas próprias ações, esses indivíduos têm potencial suficiente para quebrar um ciclo vicioso de miséria.

O desconhecimento causa  a pobreza e a fome, assim como leva a devastações e provoca a derrubadas de florestas, exploração desenfreada de recursos, garimpo ilegal, destinação inadequada de resíduos em lixões.

Então temos transformações positivas em curso?

Sim! A economia aliou inovação tecnológica a  modelos de negócio. Não faltam histórias sobre criação e multiplicação de riquezas, para aqueles que apostaram e seguem apostando na preservação ambiental, por meio de  nomes como: agro floresta, extrativismo sustentável orgânico, empresas com padrão ESG, energia reaproveitada a partir de resíduos urbanos... Estamos falando de pessoas e empresas que descobriram que uma Castanheiro-do-pará em pé gera, em valor de castanha, outra árvore em valor da madeira a cada 4 anos.

As organizações que sentiram no bolso a redução de custos com defensivos agrícolas e fertilizantes, ao integrar plantio e o extrativismo de café e cacau, por exemplo, com a floresta. Além de multiplicarem seus lucros, com preços duas ou três vezes maiores, devido a qualidade dos produtos e os selos de origem orgânica, valorizaram seus produtos e suas marcas.

Fazenda Olhos D'água - Agro floresta
Fazenda Olhos D'água,(photo: Felipe Pasini)

Já há empresas que hoje captam recursos para investimentos com juros inferiores, num mercado em abundância de capital por seguirem padrões ESG (Critérios ambientais, sociais e de governança). Há ainda aqueles que implantaram sistemas de gaseificação de resíduos  urbanos e de outras origens, para produzirem energia limpa. Se lembram do capital com coração. Pois é,  a mudança começa com o coração e segue com a multiplicação de resultados financeiros.

ESG

E tem mais, voltando à interdependência, para que essa riqueza seja gerada, é preciso de pessoas. Agora com tecnologia, modelos de negócio e padrões éticos, cada vez mais gente pode viver do campo com dignidade e multiplicando o conhecimento e os frutos desse trabalho nobre. Seja em novas organizações cooperadas, fazendas remodeladas e empresas que veem o campo como um espaço de grandes oportunidades para desenvolverem seus propósitos de geração de renda em padrões ESG.

A rememoração da interdependência, irá propagar um consumo responsável e que não  seja degradante ao nosso planeta. Aliás, o único que temos. No qual somos visitantes bem recentes. Imagina quantas formas de vida a Terra já assistiu passarem por aqui nestes bilhões de anos e que nem chegamos a conhecer...  Melhor reconhecer a interdependência e continuar habitando este espaço em harmonia, do que um dia ser descoberto como fóssil pelas próximas espécies.

Aceitando a complexidade e extensão da interdependência, podemos voltar à sustentabilidade. E para facilitar podemos pensar num tripé onde essas as forças se apresentam

  • Social (Pessoas)
  • Ambiental (Planeta)
  • Econômico (Renda)

Com os pilares deste tripé em um firme equilíbrio dinâmico, podemos realizar coisas incríveis! Aumentar nossa qualidade de vida, bem estar e dos relacionamentos humanos. Certamente estabelecer uma nova relação de respeito, e porque não, de abundância com o planeta e com as outras espécies.

O tripé é complexo, mas se cada um fizer a sua parte e se conscientizar a  respeito do conceito  da interdependência, teremos um presente criativo e um futuro sustentável, longevo e próspero.

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