Economia Circular: definição, importância e desafios


27/01/2021

, Economia circular x economia linear

Entenda porque o mundo está migrando para o processo circular de produção

Você provavelmente já deve ter ouvido falar sobre economia circular. Talvez não pelo termo, mas com certeza viu ou escutou algo a respeito de pautas que englobam esse conceito, como: reciclagem, reuso, otimização de recursos, logística reversa, etc. São diversas ações que visam uma integração harmoniosa entre a produção, consumo e meio ambiente. E se você está pensando que isso é papo de ativista, está cometendo um grande engano, porque ao que tudo indica, o futuro é circular!!

Mas antes de entrar nesse assunto, vamos entender qual o contexto atual e porque empresas do mundo inteiro, já estão repensando seus modelos de produção, e aos poucos, migrando para esse formato.

Como chegamos até aqui…

Para começar a entender, é preciso fazer uma pequena contextualização sobre o que é Economia Linear - modelo de produção utilizado tradicionalmente.

Na prática, a sociedade segue uma forma de produção e consumo que vem desde a Revolução Industrial, e se baseia na extração de recursos, produção, consumo e descarte. Ou seja, no sistema linear o desenvolvimento econômico depende da extração constante de recursos - maior parte deles, finitos.

A questão é que esse formato é cada vez mais insustentável, isso porque, além dele exigir a constante exploração dos recursos naturais, ele interfere na sociedade como um todo. Alguns exemplos são:

  1. Exploração de recursos naturais finitos Segundo a Global Footprint Network WWF, que analisa desde 1961, a biocapacidade da terra, atualmente, precisaríamos de 1,6 planeta por ano para suprir toda a demanda de consumo da população mundial.
  2. Impacto Ambiental
    O processo linear é extremamente agressivo para o meio ambiente, gera desde a exploração desordenada de recursos naturais finitos, destruição de micro e macro biomas, extinção de espécies vegetais e animais, e na maioria dos casos levando a destinação incorreta dos resíduos e dejetos, produzindo poluentes tóxicos. Esse processo linear foi o grande responsável pela formação dos lixões no entorno das cidades.
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Fonte da imagem: Ideia Circular

Em contrapartida, a economia circular oferece uma alternativa viável e que promove uma integração harmoniosa entre as três vertentes da sustentabilidade: Social, Ambiental e Econômica.

O que é economia circular?

O conceito de economia circular é bem semelhante ao ciclo natural de vida na terra. Ele é interdependente e está em constante renovação, quer ver?

Vamos observar a natureza: toda vida que acaba, é outra que surge. A árvore morta vira fertilizante natural, comida e abrigo. Animais oferecem carne e adubo; nossa respiração alimenta a planta, que por sua vez, oferece seus frutos, folhas e oxigênio. Um ciclo que garante o equilíbrio e a vida no nosso planeta.

Semelhante ao que ocorre nos ecossistemas naturais, a ideia de economia circular se baseia na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, alterando o conceito de descarte permanente - como ocorre na economia linear -, por um processo contínuo de renovação, a partir da reciclagem. Trata-se de um modelo que além de poupar o meio ambiente, cria oportunidades e pode ser bastante lucrativo.

Confira abaixo como a Economia Circular funciona na prática:

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Fonte da imagem: Ideia Circular

Panorama Atual

Em agosto do ano passado, o Brasil comemorou 10 anos da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), estabelecida pela Lei 12.305, de 2 de agosto de 2010. Para quem não conhece, a PNRS determina uma série de diretrizes a respeito da gestão de resíduos no país. O objetivo é reduzir a quantidade de resíduos direcionada aos aterros e lixões e promover melhorias em questões sociais e de saúde pública, além de gerar uma economia mais sustentável e competitiva.

Porém, dez anos depois, é possível notar que avançamos pouco em relação à pauta. Vamos aos números:

Segundo o relatório divulgado, em 2020, pela Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), nós produzimos cerca de 79 milhões de toneladas de lixo por ano, porém somente 4% de todo esse volume é destinado à reciclagem. E, conforme estimativa do relatório, até 2050 o Brasil deve aumentar em 50% todo o montante de resíduos produzidos, o que torna ainda mais necessário a implementação de uma política de gestão efetiva.

Além do impacto ambiental, com a má administração desses materiais, estamos literalmente jogando dinheiro fora.

O lixo eletrônico, por exemplo, cresce exponencialmente todos os anos, e com ele uma reserva gigantesca de metais preciosos é desperdiçada. Isso porque equipamentos como celulares, computadores, televisores e outros dispositivos, têm cobre, prata, ouro e outros metais em seus circuitos.

De acordo com o relatório publicado pela ISWA, que faz parte do programa Global E-waste Monitor 2020, realizado em parceria com as Nações Unidas, em 2019 foram descartados em todo o mundo, cerca de 53,6 milhões toneladas de lixo eletrônico e apenas 17,4% dessa quantidade foi reciclado. O estudo ainda estima que se o crescimento continuar no mesmo ritmo, em 2030 produziremos cerca de 74 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos.

O mesmo balanço ainda mostra que é possível que o nosso lixo tenha uma concentração de ouro e de outros metais, maior do que a encontrada na natureza, e que no futuro, metais raros como: neodímio, disprósio e ítrio sejam extintos, e passem a ser encontrados somente nessas minas artificiais.

E não são só os resíduos eletrônicos que poderiam ser melhor aproveitados. Plásticos, vidros, papel e outros materiais, também são recursos finitos na natureza, e mesmo os encontrados em abundância, geram um alto nível de poluição e energia para serem extraídos e/ou produzidos.

As latinhas de alumínio são um grande exemplo disso. Trata-se de um elemento muito comum na natureza, porém é necessário tanta energia para transformar a bauxita em alumínio metálico, que compensa muito mais reciclar as latinhas de metal, ao invés de produzir novas. Inclusive o Brasil é referência em reciclagem de alumínio.

Dados divulgados em dezembro do ano retrasado, pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio (Abralatas) apontam que, em 2019, a indústria do alumínio reciclou 97,6% das latas para bebidas que entraram em circulação no mercado.

Já os plásticos são baratos de produzir a partir do petróleo processado para fazer combustível, por isso, não atraem tanto interesse para a reciclagem. Contudo, se não mudarmos rápido a forma como os produzimos, seguiremos para um caminho catastrófico. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), em dinheiro, os prejuízos ambientais relacionados ao plástico ultrapassam os US$ 75 bilhões anuais, sendo que 30% desse valor vêm das emissões de gases do efeito estufa.

A importância da logística reversa e expectativas para o futuro

A chave para promoção de uma política de reciclagem eficiente, está na logística reversa, que se caracteriza “por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu próprio ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”.

Na prática, a logística reversa acontece por meio de sistemas que garantem a coleta, reuso, reciclagem ou tratamento dos resíduos. Desde de 2010 ela está presente como uma das principais diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, porém, como vimos, o Brasil recicla somente 4% de todo o lixo produzido.

Para reverter esse quadro, entre outras medidas, a Prefeitura de São Paulo, publicou em setembro do ano passado, a Lei 17.471 de 30/09/2020, que estabeleceu a obrigatoriedade da implantação de logística reversa em todo o município, a expectativa é que com isso as empresas sejam forçadas a adotarem medidas relacionadas à pauta e busquem soluções eficientes para produzir, distribuir e coletar seus produtos.

E não é só no Brasil que o tema está sendo debatido, segundo a fundação Ellen MacArthur, mais de mil organizações já assumiram o compromisso global com a economia circular do plástico - lançado na conferência Our Ocean 2018 -, que visa a criação de modelos de ‘designs’ convenientes para remanufatura, logística reversa para os plásticos, redução de embalagens descartáveis.

Grandes multinacionais, como HP, McDonald 's e Philips, já adotaram processos de logística reversa em suas atividades. A HP, por exemplo, criou o programa Planet Partners Brasil, no qual o cliente agenda um horário e data para que possa enviar os cartuchos e toners usados de volta para a empresa, que processa e recicla esses materiais.

O McDonald’s adotou uma estratégia interessante para lidar com o óleo usado para fritar batatas e outros alimentos. Caminhões recolhem esses resíduos e os levam para análise, em seguida o material é encaminhado para uma usina que é responsável por transformá-lo no biocombustível, usado para abastecer os caminhões da companhia.

Já voltado a soluções para diminuir o descarte incorreto de produtos eletrônicos, a Philips espalhou diversos pontos de coleta pelo Brasil que recolhem materiais como: baterias, pilhas e outros itens, e os encaminham à reciclagem, tratamento e destinação ambientalmente adequada.

Viu? Quando se fala de economia circular, não estamos falando somente de meio ambiente, mas sim de uma série de fatores determinantes para garantir a sobrevivência econômica e qualidade de vida para todos!

Ficou com alguma dúvida ou quer saber mais sobre o assunto? Converse conosco!

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